Nível de otimismo do industrial paranaense é o pior em 19 anos.

21/01/2015

Apenas 57,42% dos industriais paranaenses estão otimistas em relação a 2015. 35,81% estão pessimistas e 6,77% mostram-se indefinidos. O nível de otimismo é o mais baixo de toda a série histórica da Sondagem Industrial, realizada anualmente pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), desde 1996. O pessimismo supera até mesmo os anos de crise intensa, como 1999 e 2009. A Sondagem Industrial 2014/2015 foi divulgada nesta quarta-feira (17) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Sebrae Paraná.

“Esta sondagem foi realizada em novembro último, quando já estava se anunciando a elevação da carga tributária que vai representar uma pressão sobre os preços e impactar o consumo das famílias”, disse Maurílio Schmitt, coordenador do departamento econômico da Fiep. “Não é por acaso que o índice de otimismo é tão baixo e sinaliza um ano difícil”, disse.  Schmitt acrescenta que nos 19 anos em que a Sondagem Industrial é realizada a carga tributária e os encargos sociais elevados são os itens apontados pelos industriais como os que mais oneram a atividade produtiva.

Oportunidades – O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, disse que ao mesmo tempo em que 2015 será provavelmente o ano da maior crise da história, poderá ser o ano das oportunidades. “Não temos uma política industrial no Estado e no País. Se os governos e os parlamentares olharem atentamente para a proposta de política industrial que formulamos, podem minimizar o impacto da crise”, declarou, referindo-se ao documento entregue pela Fiep, ainda em outubro, aos candidatos ao Executivo e ao Legislativo. “A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também apresentou suas proposições e o governo federal já sinalizou positivamente para algumas delas”, informou.

Micro e pequenas indústrias – Este é o segundo ano em que a Sondagem Industrial inclui também uma avaliação específica das micro e pequenas indústrias. Entre os micro e pequenos empresários o nível de otimismo é ainda menor, apenas 56% dos entrevistados se dizem otimistas em relação a 2015. No ano passado, quando foi realizada pela primeira vez a sondagem junto aos micro e pequenos o nível de otimismo chegou a 74%.

“O impacto para as micro e pequenas indústrias é mais pesado. Temos uma crise instalada e precisamos sair dela. Nossa expectativa é pela regulamentação da lei das micro e pequenas empresas que prevê um tratamento diferenciado em relação a vários pontos, como crédito e política de inovação”, disse o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta. Falando na mesma linha do presidente da Fiep, o diretor do Sebrae também ressaltou a necessidade de transformar dificuldades em oportunidades  e disse que o Sebrae vai manter os investimentos programados para apoiar o pequeno empreendedor.

Campagnolo afirmou também que a estrutura do Sistema Fiep, por meio do Sesi, Senai e IEL, manterá sua política de investimentos especialmente  voltada à qualificação profissional do trabalhador para a indústria e ao incentivo à inovação e melhoria dos processos com vistas aos ganhos de produtividade.

Sondagem - Realizada em novembro último, a Sondagem Industrial ouviu 313 médias e grandes indústrias e 247 indústrias de micro e pequeno porte de diversos setores, instaladas em todo o Paraná. A consulta à classe industrial tem o propósito de identificar como o industrial vislumbra o ambiente de negócios para o ano de 2015. O resultado é usado para definir a estratégia de ação do Sistema Fiep bem como oferecer ao setor público subsídios para a elaboração de políticas voltadas ao setor industrial.

A maioria dos industriais entrevistados (62,37%) apontaram a satisfação do cliente como a estratégia de maior importância a ser adotada para enfrentar os desafios de 2015. Em seguida, aparece o desenvolvimento de negócios (49,83%) e pesquisa, desenvolvimento e inovação de produto, em terceiro lugar, apontada por 34,15% dos entrevistados. Outros industriais ouvidos pela Fiep apontaram ainda a satisfação dos funcionários (30,66%), a flexibilidade para incorporar novos produtos à linha (30,66%), o desenvolvimento dos funcionários (27,18%) e a responsabilidade social (19,51%) como estratégias mais importantes.

Sobre o destino dos investimentos, 40,77% dos industriais informaram que investirão em melhoria de processos. A modernização tecnológica foi apontada por 37,63%, seguida do investimento em produtividade (37,28%), desenvolvimento de produtos (30,66%), qualidade (29,97%), aumento da capacidade produtiva (29,27%), entre outros.

Ainda de acordo com a Sondagem Industrial, 64,81% dos industriais ouvidos informaram que farão investimentos com recursos próprios em 2015. 40,07% pretendem recorrer à linha de crédito governamental e 16,72% a linha de crédito privado.

Fonte: Fiep